29 de ago de 2011

CIDADE DE COQUEIRO SECO - ALAGOAS


Coqueiro Seco é um município brasileiro do estado de Alagoas..........situado às margens da Lagoa Mundaú..............sua população estimada pelo censo 2010 é 5.523 habitantes.


A tradição oral diz que a origem do nome do município está ligada a um velho coqueiro seco............dentro de um vasto coqueiral, ponto de referência para os que passavam pela margem ocidental da Lagoa do Norte.......pescadores de outros lugares se fixaram ali devido à fertilidade da terra e à facilidade da pesca...... ali eram realizados grandes negócios e a sesta e passou a ser também um ponto de referência e de encontro atraindo os pescadores para observar os ventos, ou as marés.............o nome coqueiros seco foi estendido ao sítio e à primeira povoação que se estabeleceu ali.


Uma versão mais antiga afirma que dois mercadores se encontraram no local onde foi construído o primeiro núcleo da cidade, comerciando com os moradores que viviam esparsamente na região lagunar.........ao se despedirem, combinaram: “No próximo mês, o encontro será aqui, neste coqueiro seco”. 


A história conta que alguns anos depois chegaram à região vários missionários da ordem dos franciscanos..........se encantaram com a topografia do lugar...........que apresentava planos altos e baixos..........mudando sua denominação para Monte Santo..........acostumados com o antigo nome da cidade os habitantes ignoraram e mantiveram o nome de Coqueiro Seco.
Há relatos históricos da passagem do Imperador D. Pedro II na região..........entre o final de 1859 e início de 1860...........dentre os locais visitados por D. Pedro II está a freguesia de Coqueiro Seco e a sua igreja de belos azulejos portugueses e objetos de Relíquia Sacra.


No “Diário de Viagem a Alagoas”, do Imperador Pedro II, consta sua admiração pela beleza daquele sítio e o registro da igreja no alto com duas torres...........que possuía 12 imagens bem feitas...........principalmente as de São Francisco de Assis e de São Francisco de Paula........trabalhadas pelo mesmo escultor que fez a de São Pedro Alcântara, do convento de São Francisco, em Salvador, Bahia e que foram trazidas de lá pelo padre Bernardo José Cabral.


O único registro histórico encontrado diz respeito à construção da igreja revestida de azulejo português e um grande pátio...........que continua até hoje como a matriz da padroeira Nossa Senhora Mãe dos Homens.............construída no século XVII pelo português José Cabral.......... as torres são revestidas de cacos de louça e a parte superior do frontal de azulejos.......guarda imagem do século XVIII e exemplos de excelentes trabalhos de talha.


Outro monumento histórico que se destaca na cidade é a capela de São Pedro.........se encontra no povoado Cadoz de Nossa Senhora dos Remédios.......a capela foi restaurada pela organização Arnon de Mello.






25 de ago de 2011

NO NORDESTE É ASSIM QUE A GENTE FALA


Nosso Brasil é imenso................cada região foi colonizado por um povo que nos deixou de herança suas tradições........historias.........musicas e o seu jeito de falar.......então no nordeste nao é diferente............existe aqui determinados termos que não encontramos em outras regiões de nosso país...........essa demonstração de termos diferentes em forma de poesia foi escrita por Ismael Gaião da Costa.........cordelista nascido em Recife - PE.

Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE – Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.
Publicou 20 (vinte) “Cordéis” e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais).
É filiado à UNICORDEL – União dos Cordelistas de Pernambuco, na qual integra a equipe de Declamadores.

No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala


Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego

Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado


O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado


Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala


Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego

Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala


19 de ago de 2011

ILHA DA CRÔA



Depois de um longo tempo sem pegar a estrada, fomos a Ilha do Crôa, apenas para gozar da tranqüilidade do local e comer os deliciosos bolinhos de macaxeira com recheio de camarão do Bar e Restaurante do Pituba.




Desde que conhecemos a Ilha do Crôa sempre levamos nossas visitas lá...... localizada a apenas 40 quilômetros da capital Maceió, no estado de Alagoas, na chamada Costa dos Corais..........a Ilha da Crôa é uma península que os habitantes locais preferem chamar de ilha...........pertence ao município de Barra de Santo Antônio.



A região foi habitada por tribos indígenas que tinham no lugar todo o necessário para viver.............deve sua colonização aos holandeses, que chegaram ao litoral por volta de 1853..........a partir daí começou o progresso no povoado à margem do rio Santo Antonio Grande que corta a cidade..........um lado mais urbano que integra a estrutura da cidade, sede da cidade e o outro, mais turístico e nativo.......onde se concentram os principais pontos turísticos.


A Ilha da Crôa conserva ainda praias com característias selvagens........coqueiros típicos de vegetação tropical ao longo de todas as praias...........arrecifes formam piscinas naturais de aguas cristalinas.



Uma das belas praias da ilha é a Praia de Carro Quebrado........deserta........areia fina e dourada........águas verdes cristalinas com fortes ondas.......piscinas naturais e recifes de corais........localizada ao norte da Ilha da Crôa........ao final da praia formações montanhosas........conhecida como falesias.........a poucos metros da beira-mar.........caracterizada pela cor vermelha.......laranja......lilas.......branca...........considerada uma das mais belas do Brasil.



A Praia da Enseada.......selvagem com mais de 5 km de extensão........areia branca.........águas tranquilas........repleta de coqueiros ao sul da praia de Carro Quebrado.


Praia de Tabuba........com as casas de veraneio situadas em seu calçadão ............ao longo de toda a praia encontramos as famosas Jangadas...........pequenas embarcações  a vela, que levam os turistas até as piscinas naturais, formadas entre os recifes de corais.



A Praia de Maré Mansa.........mais ao sul.......... frequentada basicamente por turistas e moradores da ilha.........areia fina..........águas tranquilas........... bares rústicos e comidas típicas..........ao sul da praia da Maré Mansa, está a foz do rio Santo Antonio Grande.......formando a típica vegetação de mangue........na maré baixa..............enorme banco de areia se forma na foz do rio adentrando ao mar.


O bar e restaurante do Pituba fica na praia de Maré Mansa, quando fui pela primeira vez, era pequeno e com poucas barracas, hoje está bem maior mas a tranqüilidade e a comida é a mesma.......tudo é muito rústico....,,,,restaurante ............banheiros......... as cabanas com telhado de folha de coqueiro........redes para descanso ......musica praticamente ambiente.......é o melhor lugar se você quiser tranqüilidade..........ouvir o som do mar e o vento nas árvores e depois do almoço tirar aquela soneca............além da amizade curtir a boa com o Pituba.


A Ilha da Crôa também tem a simplicidade das casas dos nativos contrastando com os monumentos históricos coloniais, sendo referência até hoje da arquitetura holandesa a igreja Matriz de Santo Antônio........fundada em 1753......pelos holandeses e o Alto do Cruzeiro.




4 de ago de 2011

O NASCIMENTO DE ALAGOAS



Alagoas nasceu sob luta e a marca do inconformismo........viu passar muitas bandeiras de captura e extermínio  de tribos indígenas..........passou a viver uma segunda fase do processo colonizador....... a exploração da cana de açúcar e a criação de gado...........ambas exigindo grandes extensões de terra......... os latifúndios.

Os nativos e os negros que chegam para trabalhar nas propriedades, são impelidos a se socializar.........prejudicando suas identidades étnica e cultural.........o modo de vida..........e suas relações sociais.........sua cultura é combatida, são forçados a esquecer a ferro e fogo.

Os primeiros núcleos da colonização..........as primeiras vilas........substituem o antigo mundo dos nativos e dos africanos............oferecendo um novo espaço sedentário e com  a cara do colonizador...........as habitações antes ocas e tabas............evoluem para construções diferentes, mas igualmente frágeis..........em terreno elevado..........próximo de rios e florestas de onde tiram o sustento...........são feitas a semelhança das antigas choças de adobe e cobertas com palha..........até que mudam para casas em que utilizam pedras revestidas com barro. 

E nesse mundo rural........patriarcal..........açucareiro.........pecuário, oque sobressai é o domínio da casa-grande..........a residência dos donos da terra, dos escravos domésticos e dos índios mansos...........geralmente situada em uma encosta com a capela, atestando a fidelidade a Deus ou ao santo preferido.

O engenho ou a casa do gado.........geralmente próximo ao curso dágua ............fornece a matéria prima para a sobrevivência dos moradores e  para a fabricações dos produto da propriedade e o escoamento dos produtos de exportação, era como uma verdadeira estrada liquida. Finalmente a senzala......... onde moram os outros escravos..............um aglomerado de casas continuas feitas de taipa, simples, sem maiores cuidados.........com uma só entrada para melhor vigilância dos feitores e a diminuição dos custos.


Era enorme o contraste entre a construção da casa-grande e a senzala......as casas-grandes tinham paredes muito espessas para defende-las do ataque dos inimigos e da inclemência do clima tropical.......muito quente e úmido. Os alpendres ou varanda forneciam a sombra necessária.........era o lugar ideal para se colocar as redes e as preguiçosas..........como era chamado certo tipo de cadeira..........de onde se dava as ordens aos escravos e aos agregados...........empregados mais próximos da casa –grande.

As casas-grandes..........inicialmente edificadas em taipa e adobe, com o tempo tornaram-se construções mais solidas de alvenaria........usando tipo de tijolos gigantes e pesados.........ainda encontramos preservado o Jenipapo........em Maragogi.


Em Pilar temos..........o Engenho Salgado e nas unidades do norte.........em Passos de Camaragibe e Maragogi.........encontramos ruinas das moradas dos negros. Ë interessante como as casas dos fazendeiros...........proprietários de terras hoje............e as de seus empregados, reproduzem quase fielmente as condições das antigas casa senhoriais e as dos seus escravos.

Quanto às capelas...........encontramos mais exemplares......principalmente do século XIX............como as do Engenho Lamarão..........Furado.......Terra Nova..........Riachão.........Marrecas..............no entanto cada vez mais o processo de expansão das usinas e o aumento da população expandindo para  a área urbana...........vão destruindo as marcas do passado de Alagoas.

Tanto quanto os seus substitutos nas cidades.........sobrados como os de São Miguel dos Campos..........Pilar............Marechal Deodoro.........Penedo e Maceió.........vão pouco a pouco sendo degradados, abandonados e se tornando peças raras.


Por outro lado..........nas grotas e nas zonas mais pobres.........proliferam as favelas, com moradias precárias, onde as pessoas não tem  a menor privacidade, substituem os tipos de mocambo de outrora.........uns cobertos com palha de cana ou com capim – açu.........outros com palha de coqueiro, e ainda outros com madeira e palha.